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Magalhães
Sábado, 11 Outubro 2008 20:05    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
ImageEstávamos no dia 30 de Julho quando foi apresentada mais uma fase do Plano Tecnológico do Governo, em pleno Pavilhão Atlântico pelo Primeiro-ministro José Sócrates. Com um convidado especial, Craig R. Barrett, Chairman da Intel, foi apresentado o novo programa E-escolinhas, um projecto que tem como objectivo colocar 500 mil computadores baseados no Classmate PC da Intel, nas mãos das crianças do primeiro ciclo.
 
Designado por Magalhães, este pequeno computador foi a estrela do evento, e um dos produtos mais aguardados a nível nacional, muito por culpa do anuncio de José Sócrates ao ter afirmado de que seria um computador integralmente fabricado em Portugal, excepto no processador que é Intel.

Tal anúncio na altura levantou imensas críticas perante os especialistas, e assim que foram revelados os dados técnicos do mesmo, ainda mais ficámos a duvidar da veracidade de tais afirmações. Estamos afinal perante um simples Classmate PC da Intel, de segunda geração.
Classmate PC
Qualquer criança, independentemente do sítio onde vivem, desde que tenham a educação certa, merece uma oportunidade para mudar o mundo. Este é o lema com que a Intel tem gasto milhões no desenvolvimento de soluções como os comutadores Classmate PC, especialmente desenvolvidos para ajudarem na educação de crianças que vivem essencialmente em países em vias de desenvolvimento, e até mesmo em países desenvolvidos como o nosso.

Craig R. Barrett tem sido a cara da Intel perante este projecto, e Portugal inclui-se na lista dos países parceiros no desenvolvimento de máquinas Classmate PC, através de uma parceria entre a Intel e as portuguesas J.P.Sá Couto e a Prológica. Apesar do anúncio do Primeiro-Ministro de que estes computadores, designados por Magalhães, são fabricados em Portugal, o nosso país não tem condições tecnológicas para fabricar qualquer componente electrónico que os Classmate PC necessitam, excepto memórias da fábrica da Qimonda Portugal. Contudo, devido aos contractos existentes, as memórias utilizadas provêem da Samsung, ou seja, de Português o Magalhães apenas tem a montagem, o nome e a língua do sistema operativo (e aplicações).
Conflito de gerações
Na realidade, o modelo anunciado no evento foi um Classmate PC de segunda geração, mas com as entranhas de um modelo de primeira geração, ou seja, quem desejar adquirir um Magalhães, seja pelo programa E-escolinhas ou pelas lojas, deverá ter em atenção ao hardware utilizado.
 
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No modelo inicialmente apresentado encontramos um processador Intel Celeron M de 900MHz, em conjunto com uma motherboard equipada com um chipset Intel 915GMS com controladora gráfica integrada, 1GB de memória e um disco de 30GB de 1,8 polegadas. A bateria utilizada curiosamente é mais fraca que os modelos de referência da Intel, sendo de apenas 3 células, com uma autonomia de três horas apenas.

Espera-se no entanto que brevemente a configuração do Magalhães seja actualizada para o processador Atom, de forma a ficar equiparável aos Netbook existentes no nosso mercado, como o EeePC da Asus e o Moover T10 da Tsunami.
Pormenores
Assim que retiramos o Magalhães da caixa, a primeira coisa que reparamos é no seu aspecto atraente, com pormenores de contrastes de cor fortes, muitos pontos com borracha e uma enorme pega, fazendo mesmo lembrar um brinquedo de criança.

Abrindo a tampa do monitor, reparamos num ecrã de dimensões generosas para um aparelho destas dimensões, 8,9 polegadas, capaz de reproduzir uma imagem com 1024x600 pixéis de resolução. Por cima desse ecrã encontramos uma webcam embutida, de 0,3MP, capaz de captar imagens a 640x480 a 30fps.
 
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A acompanhar a vertente multimédia do Magalhães encontramos duas pequenas colunas na parte frontal do portátil, e um microfone colocado ao lado do botão de ligar. Este encontra-se acima do teclado, sendo este uma surpresa algo desagradável. Desagradável no sentido em que as teclas são demasiado pequenas para qualquer pessoa poder utilizar, reforçando a ideia de se tratar de um pequeno computador para crianças.
 
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No que toca a ligações, encontramos duas portas USB 2.0, ligações de entrada e saída de áudio (microfone e auscultadores), leitor de cartões SD e ficha de ligação. Existe ainda uma ficha para a entrada da placa de rede 10/100, existindo ainda uma placa de rede sem fios 802.11 b/g integrada.

Sistema operativo à escolha
O facto de virem equipados com um disco rígido de 30GB facilitou na decisão de incluírem não um mas dois sistemas operativos distintos, o Windows XP Home Edition com Service Pack 3 em português e o Linux Caixa Mágica, totalmente em português (desenvolvido em Portugal).
 
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A acompanhar o Windows XP encontramos um ambiente gráfico chamado de Magic Desktop, que permite simplificar a utilização de um computador para os mais pequenos, utilizando acessos a aplicações como o Office 2007 (Word, Excel, PowerPoint), a Diciopédia da Porto Editora e muitas outras incluídas.

No que toca ao sistema Linux, o português Caixa Mágica vem acompanhado do OpenOffice (equivalente ao Office da Microsoft), o Firefox para navegação na internet, e o pacote educacional e recreativo GCompris.
Conclusão
Apesar de termos descoberto (nós e qualquer pessoa dentro do ramo) que o Magalhães é um Classmate PC da Intel, isto não vem de modo algum retirar todo o mérito que este merece.

Existem no entanto algumas contradições, tal como as afirmações do Sr. Primeiro-Ministro durante a apresentação, no qual falou na criação de uma nova fábrica e milhares de empregos novos (algo que não vai existir, confirmado pelos proprietários da empresa J.P.Sá Couto), na escolha do nome (Navegador Português que tentou dar a volta ao mundo com a bandeira de Espanha e que faleceu durante o caminho) e na afirmação de se tratar de um computador que seria em 2009 totalmente fabricado em Portugal, algo que todos nós sabemos que é impossível, visto não existirem fábricas de componentes de informática em Portugal.
 
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Mas como nem tudo é mau, temos que dar os parabéns ao Governo por ter tido um papel exemplar no desenvolvimento de projectos como o E-escolas e neste novo E-escolinhas, como forma de reforçar a importância das novas tecnologias na educação dos futuros cidadãos deste nosso país ao canto da Europa.

Para obter acesso ao Magalhães através do programa E-escolinhas basta subscrever-se no programa, ficando o PC disponível a custo zero, 20 euros ou 50 euros, dependendo do seu rendimento familiar e da sua comparticipação. Existe ainda a possibilidade de adquirir o Magalhães nas lojas Tsunami e Fnac, a um custo de 285 euros. Este valor parece-nos no nosso entender um valor aceitável tendo em conta alternativas existentes no mercado, mas convém voltarmos a referir que este sistema foi desenvolvido para crianças, pelo que a sua utilização por adultos poderá ser algo frustrante, essencialmente no que toca à escrita no reduzido teclado, e o facto de demorar demasiado tempo a ligar, muito por culpa do Magic Desktop.

Tirando isso, é um computador atraente, resistente e útil, mas como dizem num anuncio de cereais que costuma passar na televisão, não recomendável a adultos.
 
Gustavo Dias | Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

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comentarios (1)

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o magalhaes e a merda mais merda que existe nu caralho do mundo....mas espera ai, o mundo tem caralho?? metam o magalhaes nu cu!!
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puta fria , Agosto 03, 2009

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